História do Jardim Botânico da Madeira
A criação do Jardim Botânico da Madeira foi a concretização de uma aspiração antiga que remontava ao século XVIII, dado que a Ilha reunia condições de clima propícias para cultivar um grande número de espécies vegetais, desde as características das regiões tropicais até às das regiões frias.
Os registos históricos referem que terá sido João Francisco de Oliveira o primeiro a estudar com maior cuidado a criação de um estabelecimento desta natureza, tendo enviado ao Dr. Domingos Vandelli, diretor do Real Jardim Botânico (Lisboa), em Maio de 1798 um relatório intitulado “Apontamentos para se estabelecer na Ilha da Madeira hum viveiro de plantas e huma Inspecção sobre a Agricultura da mesma Ilha”. Na sequência do trabalho de João Francisco de Oliveira, em 1799 criou-se um viveiro de plantas na freguesia do Monte, o qual, segundo os autores do “Elucidário Madeirense”, foi extinto em 1828 pelo Governo de D. Miguel.
No século XIX, alguns botânicos e naturalistas defenderam a criação do jardim, nomeadamente o naturalista J. R. Theodor Vogel, em Maio de 1841, referiu as potencialidades da Madeira como ideal para a instalação de um Jardim Botânico; o grande botânico austríaco Frederico Welwitsch, em Novembro de 1852, reforça entusiasticamente a criação de um jardim de aclimatação na Madeira dadas as peculiares condições climatéricas da Ilha; o naturalista Barão de Castello de Paiva, em Julho de 1855, num relatório entregue ao Ministro Fontes Pereira de Mello, menciona a importância de se criar na Ilha um “horto de naturalização de plantas exóticas”.
No Século XX, muitos cientistas e técnicos ligados à botânica defenderam a organização de um Jardim Botânico na Madeira e foi manifestado o interesse em apoiar a concretização da criação desse espaço por pessoas como os Professores Rui Telles Palhinha, António Sousa da Câmara, J. Vieira Natividade e Américo Pires de Lima, o Padre Alphonse Luisier, o Dr. Carlos Romariz e o Eng.º Agrónomo A. R. Pinto da Silva.
Entre 1946 e 1959, foram elaborados vários documentos que reforçavam a necessidade de criar um Jardim Botânico na Madeira. Estes documentos, assim como uma das conclusões da I Conferência da Liga para a Proteção da Natureza, realizada no Funchal em 1950, constituíram as bases de justificação para a criação do Jardim Botânico da Madeira (JBM).
A concretização da criação do JBM teve lugar com a aquisição, pela Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, da Quinta do Bom Sucesso (Quinta da Paz ou Quinta Reid) em 1952, por dois mil contos. A Quinta foi adquirida, por escritura datada de 18 de Setembro de 1952, a Manuel Gomes da Silva situando-se entre a Levada do Bom Sucesso e o Caminho do Meio e das Voltas e entre os 200 e 350 metros de altitude, tendo na altura uma área de pouco mais de 10 hectares, com uma casa de residência que havia sido da família Reid, antes de 1936. A Quinta foi adquirida com o intuito de ser utilizada pelos Serviços da Estação Agrária e “com o objetivo de ali ser instalado a sede do Jardim Botânico”. Posteriormente, entre Dezembro de 1952 e Junho de 1953, foram adquiridos outros terrenos anexos, pela Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal e incorporados ao parque botânico.
Desde a sua criação até 1973, o JBM foi parte integrante da Estação Agrária com o seu suporte administrativo. Em Dezembro de 1973, foi aprovado um regulamento do Jardim Botânico, numa reunião da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, em que lhe foi concedido a categoria de Direção de serviços “independente” mas com a obrigação de “exercer a sua atividade em estreita colaboração com a Estação agrária sempre que, no desempenho das suas funções, tenham de ser considerados aspetos relacionados com a agricultura distrital”.
A alteração de funcionamento do Jardim Botânico ocorreu em 1979, com a publicação do Decreto Regulamentar Regional n. 8/79/M, de 29 de maio, que estabeleceu a orgânica da Secretaria Regional de Agricultura e Pescas (SRAP), uma vez que passou a ser um departamento da Direção de Serviços Agrícolas da mesma Secretaria.
Em 1984, com aprovação da alteração orgânica da SRAP, pelo Decreto Regulamentar Regional n.º 7/84/M, de 19 de Abril, o JBM sucedeu a Divisão da Direção dos Serviços Agrícolas, da Direção Regional da Agricultura, mantendo as competências que presidiram à aprovação do seu regulamento em 1973, tendo em conta os relatórios do Eng.º Agrónomo A. R. Pinto da Silva, da Estação Agrónoma Nacional e do Dr. Pierre Dansereau, da Universidade de Montreal (Canadá).
De entre as competências então definidas, destacam-se: Introdução e aclimatação de plantas úteis, especialmente novas cultivares; Seleção, multiplicação e distribuição das espécies vegetais, variedades ou cultivares de interesse científico, ornamental ou económico; Permuta com outros Jardins e Institutos Botânicos, de sementes, plântulas e propágulos de espécies naturalizadas, cultivadas ou indígenas da Região e, ainda, de material herborizado; Investigação científica, principalmente nos domínios da Botânica e, sempre que possível, em colaboração com Institutos e outros Jardins portugueses e estrangeiros; Educar popular e turismo. Divulgação.
Com a regulamentação da orgânica daquela Secretaria Regional, efetuada através do Decreto Regulamentar Regional n.º 1/93/M, de 7 de Janeiro, é criada a Direção Regional de Florestas. Com aprovação da orgânica desta Direção Regional, pelo Decreto Regulamentar Regional n.º 7/93/M, de 27 de Março, o Jardim Botânico integra como Divisão a Direção de Serviços de Florestação e Recursos Naturais, à qual competia promover e desenvolver a investigação científica nos domínios da Botânica, em colaboração com entidades, nacionais e internacionais, que desenvolvam atribuições semelhantes.
Com a publicação do Decreto Regulamentar Regional n.º 11/2002/M, de 24 de Julho, a Direção Regional de Florestas compreende entre os seus órgãos e serviços o Jardim Botânico, enquanto Direção de Serviços, com atribuições nos domínios da investigação, conservação dos recursos genéticos vegetais e de apoio à criação e gestão de espaços verdes.
As suas instalações foram enriquecidas com a montagem de um laboratório em 1999 que, posteriormente, foi sendo apetrechado e melhorado. Foi criado também, em 1994, o Banco de Sementes do Jardim Botânico da Madeira direcionado para coleções de plantas indígenas da Madeira (Madeira, Desertas, Selvagens, Porto Santo), com prioridade para os endemismos e para as plantas raras e ameaçadas de extinção na Natureza.
